APJ
23/05/13 10:52 - Sorocaba

Frota de veículos cresce 48% em 5 anos

Até abril deste ano, o município já somava 403.700 veículos, contra 271.835 registrados em 2008

Rosimeire Silva

A média de idade da frota em circulação em Sorocaba está entre sete e nove anos de fabricação

Em cinco anos, as ruas de Sorocaba tiveram um incremento de 131.865 veículos em circulação, que inclui tanto os novos como os que vieram transferidos de outras cidades. Até abril deste ano, a frota no município já somava 403.700 veículos, contra 271.835 registrados em 2008, o que corresponde a um aumento de 48,5% no período. As motocicletas são as que mais vêm ocupando espaço no trânsito. Em 2008, eram 51.863 motos rodando na cidade e, atualmente, chegam a 78.114, um aumento de mais de 50% em cinco anos. Já os veículos leves, que representam 64,7% da frota atual, passaram de 178,2 mil para 261,3 mil, ou seja, 46,6% a mais.

Segundo cálculo realizado pela Urbes - Trânsito e Transporte, a proporção entre a população do município e a frota em circulação (taxa de motorização) passou de um veículo para cada dois moradores, registrado em 2008, para 0,66 veículo por morador, ou seja, bem próxima de alcançar a média de um veículo para cada habitante. A média de pessoas que utilizam o mesmo veiculo (taxa de ocupação), em contrapartida, caiu significativamente. No cálculo referente ao primeiro trimestre deste ano, cada veículo não chega a transportar duas pessoas (1,51), que era a média registrado em 2008 (1,98). A equipe técnica da Urbes explica que esses números confirmam que cada vez têm menos ocupantes nos veículos e mais veículos por pessoa.

O delegado da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Sorocaba, José Olímpio Prette, disse o tempo médio estimado da frota em circulação em Sorocaba está em sete e nove anos de fabricação. De acordo com levantamento realizado pela Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran/SP), pouco mais da metade dos veículos registrados no município (50,36%) tem menos de dez anos uso. Já os veículos com mais de trinta anos de fabricação, representam cerca de 11% da frota.
 
Tendência natural
 
Para o engenheiro de tráfego, Adalberto Nascimento, esse aumento no número de veículos nas ruas é um problema que não se restringe a Sorocaba, mas abrange a maior parte do país. Além do crescimento natural da população, ele diz que a própria economia tem impulsionado esses números, devido aos incentivos e facilidades para a aquisição de veículos, o que tem se refletido em ruas congestionadas e no esgotamento da vias de tráfego urbano. "Infelizmente, esse mesmo incentivo não é dado ao transporte coletivo, com a redução de tarifas e melhorias no sistema como forma de incentivar a sua utilização", comenta.

Na avaliação do engenheiro, embora Sorocaba também sinta o reflexo desse aumento no número de veículos em circulação, a cidade ainda vive uma situação melhor que a vivenciada por outros grandes centros urbanos, por contar com uma engenharia de tráfego mais atualizada e um moderno sistema de transporte coletivo. Ele reconhece, no entanto, que para que as condições de tráfego não se agravem é preciso que mantenham investimentos e estudos permanentes para acompanhar esse crescimento, direcionado principalmente em melhorias do transporte coletivo.

Uma atenção especial, destaca Adalberto Nascimento, deverá ser dada aos motociclistas, que estão em número cada vez maior nas ruas, devido ao menor custo para aquisição em relação aos outros meios de transporte. "É preciso educar os motoristas para que estejam preparados para conviver com esses veículos." Adalberto alerta também para a necessidade de uma humanização em relação ao trabalho dos motofretistas, que são pressionados pelos empresários em relação aos prazos de entrega e acabam se arriscando no trânsito. "É um assunto preocupante e que requer uma ampla discussão e planejamento."
 
Motoristas reclamam
 
Os motoristas que enfrentam diariamente o trânsito de Sorocaba sentem na pele e, principalmente, no relógio, os efeitos do aumento da frota em circulação nas ruas. Os congestionamentos, principalmente nos horários de pico, são reclamações comuns para quem transita com frequência pela cidade. O trabalhador autônomo José Augusto de Souza, 60 anos, que diariamente chega a rodar mais de 30 quilômetros na cidade para fazer serviços de escritório, diz que depois das 16h30 é bastante complicado andar de carro em Sorocaba. "Não dá mais para programar algum prazo de percurso depois desse horário, pois o trânsito se tornou imprevisível", reclama.

Os constantes congestionamentos de veículos fizeram com que a funcionária pública Irma Duarte, 39 anos, até mudasse a sua rotina. Embora o seu expediente de trabalho termine às 18 horas, ela conta que geralmente fica até mais tarde no emprego para não ter que ficar parada no trânsito, principalmente na avenida Dom Aguirre, onde ela tem que passar diariamente. "Eu só saio do trabalho por volta das 18h45, quando o trânsito começa a ficar mais tranquilo. Antes disso não adianta." Irma afirma que apesar do incômodo dos congestionamentos, o tempo gasto com o carro no percurso de casa até o trabalho ainda é bem menor que o que gastaria de ônibus, senão iria preferir o transporte coletivo. "De carro demoro 25 minutos, quando não tem trânsito, enquanto que de ônibus levo até uma hora e meia, pois tenho que pegar três linhas diferentes."

Com uma experiência de 35 anos como motorista, o oficial de justiça Sílvio Barroso, 55 anos, diz que o aumento no número de carros nas ruas tem prejudicado muito a fluidez do trânsito em Sorocaba e tornado a situação cada vez mais difícil. "Só ando de carro mesmo porque não tem outro jeito, pois o meu trabalho faz com que eu percorra várias regiões no mesmo dia, mas está cada dia mais estressante dirigir, principalmente pelo excesso de motos no trânsito, que exigem uma atenção redobrada para evitar acidentes." Barroso diz que chega a sentir saudade do tempo em que trabalhava no Centro da cidade e podia ir de ônibus. "Era muito bom poder deixar o carro em casa."

Contexto Paulista